Estou Sem palavras...
É triste... Mas confirma-se. Acontecem neste país alguns fenómenos que nos ultrapassam...
Desde cedo soube que eram muito altas as probabilidades do PS vencer estas eleições, mas nunca pensei que em pleno século XXI, numa época de economias liberais, mercados altamente concorrenciais e onde a dependência face ao Estado deveria ser cada vez MENOR, a esquerda, no seu conjunto, pudesse ter uma vitória tão esmagadora...
Sobretudo quando na sua liderança temos... José Sócrates... (Alguém lhe reconhece obra feita? Se sim, por favor, agradeço que mo demonstrem. Saberei dar o braço a torcer... É que aos meus humildes olhos, este senhor nem sequer bem pensante e muito menos bem falante é... )
Vamos sofrer na pele este tremendo erro de deixar o país ser governado em 60% pela esquerda. As consequências para a economia vão ser devastadoras, com políticas populistas e socialistas, de querer agradar a tudo e todos, nada será feito para reduzir a Despesa Pública e travar a derrapagem do défice...
E o tão necessário choque fiscal? A luta contra evasão? A reforma da Administração Pública? Referindo apenas alguns exemplos entre tantos outros tão importantes e essenciais...
Haverá coragem para dar continuidade a todos esses processos? E para levar a cabo reformas económicas potencialmente dolorosas, mas fundamentais para a recuperação e o desenvolvimento do país? Ainda que esta maioria absoluta tenha dado ao PS as condições necessárias para o fazer (pelo menos disso, não se vão poder queixar...). Infelizmente, não consigo acreditar...
E na minha cabeça uma palavra insiste em ganhar cada vez mais força: Regressão...
Não imaginam o quanto eu quero estar enganada. Pelo enorme amor que tenho a este país...
Gostaria de, no fim deste ciclo que agora se inicia, poder dizer que, apesar de tudo, foi uma agradável surpresa... Mas não tenho, neste momento, quaisquer esperanças... Talvez porque ainda não consegui ver no PS planos e objectivos concretos, figuras capazes, nomes de prestígio e confiança...
Mas não é época de fugir, nem de "emigrar"... como já ouvi de tantos... é sim, altura de dar a cara e não desistir... Mostrar que ainda há tanta coisa que funciona bem e que podemos ser cada vez melhores e mais independentes do Estado...
Vivemos em Democracia... e é a vontade do Povo quem manda... há que respeitá-la... E o Povo votou claramente na mudança...
É exactamente por isso, que PSD e PP têm que dar início a um período de reflexão. É preciso "arrumar a casa", delinear estratégias, preparar Autárquicas e Presidenciais... Saber ser A Oposição, A Alternativa, a Cabeça, a Crítica Construtiva da Assembleia - algo que o PS NUNCA conseguiu ser, agarrado à sua política demolidora, de criticar tudo e todos, sem nunca definir ou sequer sugerir alternativas concretas. (Aliás, algo que se manteve inalterável ao longo de toda a campanha... fala-se de metas, nunca de como chegar até elas... é um mistério).
No fim de tudo, deixo uma palavra de apreço ao líder do Partido Popular (ainda que não tenha sido esse o meu sentido de voto). Reconheço ao Dr. Paulo Portas um enorme valor. Sem dúvida o político mais inteligente, objectivo, carismático do momento. Um Homem de ideias e convicções firmes, como aliás ficou demonstrado mais uma vez na noite de ontem. Um Homem com Visão, sem medo de assumir o que quer para si, para o seu partido e para o país.
Uma figura insubstituível no PP.
Já o Dr. Pedro Santana Lopes terá de saber fazer a devida análise dos números e tirar as evidentes conclusões (algumas delas a título exclusivamente pessoal e não partidário) e deixar surgir no PSD uma nova liderança.
Embora reconheça que, provavelmente, não teria a competência e o estofo necessário a um Primeiro-Ministro, tenho que lhe elogiar a coragem, a forma como sozinho enfrentou esta campanha e aceitou este presente mais do que envenenado... uma questão de Atitude, que tantas vezes faz falta a este país...
Como diz a sabedoria popular "o que não nos mata, torna-nos mais fortes"... Resta-nos esperar para ver... E acreditar que, aconteça o que acontecer, vamos saber ressurgir das "cinzas"...
E rezar para que o mandato de Sócrates seja substancialmente melhor que o seu discurso de vitória:
"Conseguimos! Conseguimos... camaradas, conseguimos..."
Sem comentários...
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